PROCISSÃO COM MAIS DE 100 ANOS VOLTA A SAIR HOJE À RUA
População do Raminho
não esquece a força dos abalos
Não há sono ou cansaço
que derrube a fé de um povo.
No Raminho, a procissão
dos abalos volta a sair à rua,
hoje, às 6h30.
A população do Raminho não esquece a força dos abalos e todos os anos cumpre uma promessa com mais de um século. Hoje, às 6h30, velhos e novos voltam à rua para rezar e pedir a Deus para que a terra não volte a tremer por estes lados.
Antes que mais um dia de trabalho comece ou que se inicie o tão aguardado descanso de fim de semana, há tempo para caminhar. E ainda são cerca de seis os quilómetros percorridos entre a Igreja e a Ponta do Raminho e de novo à Igreja.
Quem mora entre o percurso vai-se juntando à procissão à medida que ela passa. Afinal de contas, esta não é uma procissão como as outras. Não há roupas de domingo, nem muitos andores, só o Senhor dos Passos, duas coroas e duas bandeiras do Espírito Santo.
Este ano, o dia 31 de maio calhou num sábado, mas mesmo que fosse num dia de semana, a população manteria viva a tradição. Logo de manhã ou ao final do dia, a "procissão dos abalos" sai sempre à rua.
Álamo Oliveira, escritor natural do Raminho, conhece bem o percurso. Fá-lo a pé, desde que se lembra de andar e garante que a procissão ainda está "muito viva" na freguesia.
"As pessoas ainda vão bastante a esta procissão e independentemente de ser, este ano, às 06:30 da manhã, é num sábado, e por conseguinte penso que vai haver um número interessante de pessoas nessa mesma procissão", frisou.
A "procissão dos abalos" nasceu da aflição das pessoas perante uma crise sísmica, despoletada pelo rebentar de um vulcão submarino ao largo da Serreta, que também mantém a tradição, mas um dia antes.
Álamo Oliveira recorda, como a mãe lhe costumava contar, que estava previsto que as duas procissões se encontrassem no mesmo local, mas um sismo não permitiu que se abrissem as portas da igreja do Raminho naquele dia.
Sem filarmónica, as pessoas cantam repetidamente uma avé-maria e uma santa-maria e no regresso repetem oito vezes um cântico, invocando Deus pai, Deus filho, o Espírito Santo e a Virgem Maria, à semelhança do que aconteceu na primeira procissão. "Eles já vinham para trás, o padre já tinha feito a sua oração juntamente com os fiéis, mas os sismos continuavam e então de cada vez que fazia um mais forte, eles paravam ajoelhavam e cantavam", explicou Álamo Oliveira.
DIÁRIO INSULAR
2014.05.31
Sem comentários:
Enviar um comentário